Vitamina
musical
O LUGAR CERTO PRA SINTONIZAR
O Curso de música da UFU
Por: Beatriz Evaristo 30/10/2018
Thiago Ayer Barbosa, nascido e criado em São José do Rio Preto – SP, está matriculado na Universidade Federal de Uberlândia desde 2016/2. Iniciou o curso de Música com habilitação em violino, mas acabou descobrindo a viola de arco e uma grande paixão pelo instrumento, após realizar um vestibular interno, trocou sua habilitação e hoje já está em seu segundo semestre de viola.
Na entrevista a seguir, Thiago irá contar um pouco mais sobre o curso, suas vivências, dificuldades e todo seu amor por música.
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Beatriz Evaristo: Por que escolheu fazer música?
Thiago Ayer: É uma loucura isso porque desde criança eu sempre tive contato com a música, minha mãe sempre foi cantora, então a gente sempre escutou muita música brasileira. Eu acho que a vontade da minha mãe de ser musicista passou muito para mim, desde criança eu tive contato com instrumentos como: flauta doce e violão. Um dia, através de um projeto social em minha cidade chamado Guri, que é mais conhecido no estado de São Paulo, foi apresentado ao violino, foi então que comecei a gostar e praticar esse instrumento.
Mas eu acho que a vontade de fazer música é muito introspectiva, pois chegou um momento da minha vida que eu não queria acreditar que queria fazer isso, então fui para outros lados, fiz informática, mas não rolou, fui para a parte da engenharia também, fiz um ano e meio de engenharia mecatrônica, mas eu não sentia aquela motivação de continuar. Então, certa vez meu irmão mais novo me perguntou “o que você se vê fazendo daqui cinco anos?” e eu sabia que não era engenharia, algo dentro de mim falava para fazer música, só que a gente sempre tem aquela ideia de que música não dá dinheiro, toda aquela coisa que a sociedade impõe.
Então decidi fazer algo que me faria bem, me faria feliz. Larguei o curso de engenharia, aconteceram varias coisas, brigas com meu pai, já que esse era o curso da vida dele, mas coloquei em minha cabeça desde 2015 que iria fazer música e estou até hoje na pegada.
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Beatriz Evaristo: A UFU era sua primeira opção?
Thiago Ayer: Como vim do estado de São Paulo, minha primeira opção era a USP, prestei o vestibular em Ribeirão Preto e por uma vaga eu não entrei. Mas como meu irmão estava entrando na UFU para fazer Artes Visuais, foi visitar o bloco da música, conhecer e fui muito bem recebido, achei muito interessante, então prestei o vestibular e passei em terceiro lugar. E cá estou eu, gostando muito do curso, da cidade, das pessoas.
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Beatriz Evaristo: Você encontrou alguma dificuldade no inicio do curso?
Thiago Ayer: No começo teve um pouco, porque a gente sabe quando o assunto é morar fora de casa é tudo diferente, é toda uma rotina, tudo meio difícil, mas como eu vim morar aqui ainda sem ter passado no curso, tinha dias que eu passava sem ter feito nada esperando para as coisas acontecerem, fazer as prova especificas, vestibular interno. Teve dificuldades também em relação a lugares para morar, mas por fim conseguimos achar um lugar bacana e perto da faculdade, o que é ótimo.
Beatriz Evaristo: Por que escolheu tocar Viola de arco?
Thiago Ayer: A viola de arco é um instrumento maravilhoso, poucas pessoas conhece a existência dela e muito menos o som que ela tem. Em minha opinião é um dos instrumentos de corda que tem o som mais profundo e isso me agrada muito, ela não chega ser grave nem agudo, ela tem um som médio, mais parecido com a voz de um cantor tenor.
Na orquestra a viola é vista como um instrumento de brincadeira, chacota, porque dizem que quem toca viola é porque não conseguiu tocar violino, mas não é bem assim, ela tem toda uma ideia por traz, se for pesquisar sobre ela na história da música em geral, vai ver que é um dos instrumentos mais antigos já concebidos. Enfim, eu me interessei mesmo por essa questão de timbre, por essa questão de repertorio, oportunidades no mercado de trabalho.
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Beatriz Evaristo: Você acha que esse curso tem pouco prestigio no país?
Thiago Ayer: De forma geral, o curso de música é um curso que muitas vezes as pessoas desconhecem, não sabe como funciona o curso. Então para acontecer uma divulgação geral, teria que ter uma conscientização do que é o curso, de como ele funciona. O bom de Minas, diferente do estado de São Paulo, tem os observatórios que ajudam as pessoas que entram lá tenham alguma ideia do curso, mas não necessariamente sabem como é o curso em si.
No nosso curso eu posso ver que falta divulgação, mas por uma questão de reconhecimento profissional, porque para ser musico você não precisa necessariamente ter uma formação e isso foi um choque para mim quando eu entrei aqui, pois eu achava que todos os músicos tinham feito o curso. Então eu acho que por causa disso não é tão divulgado. O curso é um ambiente diferente, as vezes descobrimos coisas aqui, que muita gente que toca na noite não sabe.
Beatriz Evaristo: A Universidade da o apoio e recursos necessários para um bom desenvolvimento?
Thiago Ayer: O curso de música da UFU saiu com a maior nota no MEC, isso se deve a vários quesitos, como ambiente de aula, ambiente de estudo e tudo mais. É claro que foi muito bem avaliado, mas o que falta estruturalmente são mais salas de estudo especificas, para que os alunos possam usufruir delas. Nós, geralmente, dividimos salas em três pessoas, três habilitações diferentes, ou seja, as vezes quero estudar na sala e já tem outra pessoa estudando com outro instrumento o que acaba complicando um pouco. Um exemplo das pessoas que sofrem com isso, são os alunos de piano, porque há salas com pianos, mas eles não podem usar, mesmo tendo apenas duas salas com pianos abertas para eles.
Beatriz Evaristo: Qual foi a melhor parte da sua graduação?
Thiago Ayer: A melhor parte da minha graduação foi a junção de várias informações de vários lugares diferentes, essa maneira com que me fez te uma visão sobre o curso e sobre o que eu quero fazer, porque eu entrei no curso sem saber por onde eu poderia caminhar e agora eu vejo muito os caminhos que eu posso trilhar dentro da música. O mais legal foi isso, conseguir receber informação, ter um poder de argumentação e conhecimento e uma questão de vivência com pessoas ambientes diferentes.
Beatriz Evaristo: Para você, qual a importância da música na vida das pessoas?
Thiago Ayer: Eu acredito que a música é um instrumento cultural, mas não só para isso, ela serve também para “ajudar” a sociedade em si entender vários conceitos. Então o papel da música na sociedade é cultural, mas também escultural porque eu acredito que as pessoas precisam ter esse tipo de acesso, elas precisam ter cultura na vida delas, ter conhecimentos musicais, pois são eles que fazem o ser humano ser muito mais engrandecido.
Eu tenho uma tatuagem que é sobre um projeto que quero fazer com meu irmão, um projeto artístico, no qual eu quero levar música de forma geral para todas as pessoas. Esse eu acho que vai ser o ápice da minha vida, depois de fazer tudo o que eu quero, eu vou dedicar meu tempo a passar esse conhecimento paras as pessoas, não só conhecimento musical, mas também artístico no geral.
Então musica para o ser humano é engrandecedor, tem uma frase que um amigo meu me falou um dia e eu gosto muito dela, ela ilustra muito bem a situação: “A música serve para suprir as necessidades que nós, meros mortais, não conseguimos suprir por nós mesmo”. A música é sentimento, é expressão, música é tudo isso e a sociedade precisa de tudo isso para pensar e se desenvolver.
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