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A jornada do rock no Brasil e suas influências

Laura Justino     06/11/12

Entre a década de 50 até hoje, o gênero musical caracterizado por fãs vestidos de preto e com acessórios de caveiras passou por períodos em foi influenciado pela música internacional e influenciou na criação de subgêneros e manifestações sociais. Confira: 

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Representantes do movimento musical Jovem Guarda. Na época, era comum os jornais publicarem sobre eles e suas músicas eram gravadas em disco vinil. (Foto:  Arte de André Mello com fotos de arquivo) 

Origem

O gênero nasce entre a década de 40 e 50, no berço do Rock and Roll e do Rockabilly, cujas derivações vieram do Blues, do Country e do Rhythm and Blues. Outros impulsionadores do rock são o Folk, a música clássica e o Jazz.  Por ser constituído de vários gêneros citados, o Rock forma subgêneros, como  Folk-Rock, o Blues-Rock, Jazz-Rock,  Heavy Metal, Hard Rock, Rock progressivo e o Punk Rock, por exemplo.

Além da voz, sua melodia é composta, basicamente, pela guitarra, bateria e baixo. Já em seus subgêneros, é comum a presença de outros instrumentos, como o teclado, piano, gaita, violinos, violoncelos e saxofones. De modo geral, uma banda de rock é constituída por um quarteto.

A palavra Rock vem de uma metáfora iniciada no idioma inglês, ligada com o verbo to shake up (sacudir). Na década de 30, haviam músicas que traziam o nome rock, como em  Rock It for Me, de  Chick Webb e Ella Fitzgerald. Portanto, a população associava o termo com o gênero que, assim, ficou conhecido como Rock.

No Brasil

A abertura do rock no Brasil se deu com a gravação de Rock Around The Clock, original de Bill Haley e His Comets, pela carioca Nora Ney, em outubro de 1955, para a versão brasileira do filme Sementes da Violência. Porém, Nora Ney era do samba-canção e não tinha objetivos de prosseguir no Rock, mesmo com sua música no topo das paradas no rádio.

Por isso, a população brasileira tem conhecimento que Roberto Calos começou o gênero no país. Junto a ele, Tim Maia, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington Oliveira formaram The Sputniks, influenciados pelo  Rock and Roll e Rockabilly. Porém, a banda foi desfeita a partir da rixa criada por Tim ao descobrir a apresentação de Roberto como ‘’Elvis Presley Brasileiro’’. Inconformado com tal atitude que julgou egoísta, Tim chama Erasmo Carlos, seu amigo de infância, para formar os The Snakes ( Tim, Erasmo, Arlênio, China e Edson Trindade)

Confira o primeiro videoclipe original de Rock brasileiro, com a letra escrita por Miguel Gustavo, na voz de Cauby Peixoto:

Fãs de Cauby Peixoto o chamam de príncipe e o glorificam pelo primeiro Rock no país em comentários do YouTube. (Canaltonyforense )

Tim Maia e Roberto Carlos tinham chances de serem consagrados como os primeiros ídolos do Rock. Porém, com a discórdia entre eles, os irmãos Tony e Celly Campelo  ganham o título de ídolos, em 1958, com o lançamento do compacto o compacto Forgive Me/Handsome Bo, cuja venda chegou a 38 mil cópias.     

Contudo, a década vira e Roberto Carlos alcança o patamar de maior ídolo do Rock. Suas músicas gravadas nos anos 60 são lembradas até hoje e, inclusive os jovens as reconhecem. Com a ajuda de Erasmo Carlos, É Probido Fumar é uma delas, cujo lançamento foi em agosto de 1964, era a música que mais se relacionava ao Rockabilly. Hoje em dia, a banda Skank regravou e sua versão ganhou o prêmio de melhor videoclipe pelo canal de comunicação Multishow.

Ainda na década de 60, nasce o programa musical Jovem Guarda, produzido pela TV Rio e TV Record. Era, no início, chamado de iê-iê-iê e, Erasmo, Roberto Carlos e Wanderléa o apresentava. O nome Jovem Guarda também representava o movimento da época, o qual marcou a ascensão dos cantores na mídia televisiva, ou seja, os artistas, sobretudo do mundo do Rock, ganhavam espaço para apresentar suas artes.

Na Inglaterra e Estados Unidos, em especial, o Rock era caracterizado por temas críticos ao sistema que os representava. Já no Brasil, a Jovem Guarda trouxe músicas mais românticas, traduzindo sentimentos do roubar de um beijo, de comparecer em encontros, como ao cinema, ou até mesmo o passeio de carro pela estrada ou cidade.

Ouça: O Calhambeque, uma canção marcada por esta última situação, gravada em 1964.

O Calhambeque faz parte do álbum É Proibido Fumar, o primeiro em que Roberto Carlos investe totalmente no Rock and Roll

POLÊMICA TIM MAIA E ROBERTO

A rixa entre ambos começa quando Roberto Carlos atinge maior sucesso antes de Tim. Esse, por sua vez, em 1959, monta o grupo musical The Ideals. Cinquenta e cinco anos após a briga, com a direção de Mauro Lima, a história de Tim Maia ganha vida no cinema.

Tim, sendo interpretado por Robson Nunes e Babu Santanda, é representado de forma fiel ao ponto de vista dele na briga com o Roberto Carlos, o que gerou mais briga. Então, em entrevista após o filme, o atual rei do pop afirma que a narrativa tem falhas, sobretudo na cena em que Tim lança pão quando vê o personagem de Roberto a negociar participação em TV e ser aclamado como Elvis Presley Brasileiro: 

“Não existiu jogar pedaço de pão, é mentira. Quando Tim voltou dos Estados Unidos, me procurou e ele foi escalado para cantar na Jovem Guarda (programa de TV comandado por Roberto na década de 1960). Cantou Georgia on My Mind, fez sucesso e voltou outras vezes. Não sou de ficar contando, mas pedi para a CBS gravar um disco dele. Ele gravou, não fez tanto sucesso quanto esperava, e Tim acabou mudando de gravadora” -diz ao entrevistador. "Acho uma falta de ética de quem colocou isso no filme"- conclui.

Em contrapartida, Fábio Stella (interpretado por Cauã Reymond) credita o ponto de vista do filme e diz em entrevista ao portal R7 que Roberto não cedeu apoio ao seu então parceiro: ‘’ Quem auxiliou Tim no início foram Elis Regina e Wilson Simonal. Roberto Carlos nunca fez nenhum esforço para ajudar o amigo que cresceu com ele na Tijuca. Até sua esposa Nice, na época, o dizia para dar uma força pro Tim, mas o cara não ligava. Ele e Erasmo sempre foram competitivos, agiam como atletas fazendo música’’. Segundo Fábio, em entrevista à mesma emissora, sua tentativa de participar da Jovem Guarda foi bloqueada por Roberto, mesmo que seu status fosse de galã nos anos 60: ''O Roberto morria de medo que eu fizesse sucesso, porque, modéstia à parte, eu era muito mais bonito que ele e minhas letras e músicas são mais rebuscadas. O cara mal sabe fazer um dó no violão. Minhas harmonias têm acordes diminutos. Tudo que ameaça o reinado do Roberto é cortado. Estou adorando essa repercussão, porque faz justiça à história verdadeira.''

A rede Globo lançou ao ar um especial de Tim Maia. Após a exibição, o biógrafo Paulo César de Araújo não concordou com as cenas escolhidas pela emissora ao passar o filme. Em entrevista à Rádio Estadão, explica: “Eu vi o programa, até porque sou fã do Tim Maia também. E estava nesta expectativa do que prometia o programa, que, eu imaginava, iria ampliar o que estava no cinema. Imaginei que seria algo maior, acrescido de depoimentos. De fato, eles acrescentaram, mas para minha surpresa eu constatei que a parte mais controversa da relação do Tim com o Roberto, nessa tentativa de se apresentar na jovem guarda, foi cortada e apareceu o Roberto dizendo que na verdade ele tinha ajudado o Tim Maia. Que tudo foi bacana, que não houve conflito, não houve contradição, não houve nada. Isso eu achei constrangedor”, disse Araújo.

Tropicália,  o Rock Psicodélico

O movimento surge com o acontecimento do Festival de Música Popular Brasileira, com a proposta de inovar a estética da música. Sendo uma forma de se manifestar contra a ditadura militar, ele envolvia a música, cinema, artes visuais e teatro. Na música, Os Mutantes ganham destaque (composto por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) junto aos outros artistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Os líderes do movimento tinham influencias da Bossa Nova (gênero musical derivado do jazz e samba).

 

Como as canções poderiam ser censuradas pela Ditadura, o Tropicalismo parecia ser inofensivo para alguns, mas suas letras são recheadas de metáforas utilizadas para criticar o governo ditatorial.

Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, reflete a repressão nas músicas pelo governo, já visíveis nas primeiras frases :                                                                                (...)

                                                                      Caminhando contra o vento

                                                                      Sem lenço e sem documento

                                                                      No sol de quase dezembro

                                                                      Eu vou

                                                                      O sol se reparte em crimes

                                                                      Espaçonaves, guerrilhas

                                                                                              (...)

 

Outra composição é Tropicália, cuja letra exalta os movimentos culturais recorrentes contra a ditadura. As frases marcantes são: 

(...) Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento no planalto central do país

(...) Viva Maria, ia, ia, Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia

(...) Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma

(...) Domingo é o fino-da-bossa

(...) Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da

Curiosidade: Por que Carmem Miranda? Bom, nascida em Portugal e aclamada por americanizada, ela era considerada um ícone do Tropicalismo. Com arranjos de frutas tropicais na cabeça, ela esbanjava a figura exagerada da estética. Caetano Veloso nas apresentações torcia os punhos como a atriz para que o público os associassem os gestos da mulher.

Outro movimento: Marcha contra a Guitarra Elétrica

Ou passeata MPB, defende a música nacional em relação a internacional e ganha o slogan ‘’Defender O Que É Nosso’’. O movimento liderado por artistas do mundo da música popular brasileira iniciou em 1967 e foi construído por uma grande passeata de início no Largo São Francisco e em direção ao Teatro Paramount, na avenida Brigadeiro Luís Antonio, São Paulo. Contra o tropicalismo, criminava a guitarra elétrica e os músicos de esquecer o estilo musical e os instrumentos do próprio do país. Afinal, o topo das paradas internacionais era a banda The Beatles e os brasileiros se inspiravam neles para compor suas melodias. 

DE 70 À 90:

Caetalo Veloso, dentre outros músicos, sofreram exílio. Com isso, novos nomes surgem no mundo musical e 1973 é marcado por descobertas. João Ricardo e Ney Mato grosso lideram Secos & Molhados. Ao comparar o cenário vivido antes, de 1970, é visível o novo rumo do Rock e seus subgêneros ao voltar o olhar para a objetividade no tratamento de seus temas ( pois, também havia maior liberdade de expressão).

A rosa de Hiroshima, de Secos & Molhados, por exemplo, é recheada de objetividade. Sem rodeios, o tema parte direto para o ponto do bombardeio nas cidades de Hiroshima e Nagakasi e discursa sobre os efeitos na população, os quais são claros. Mesmo que o arranjo musical utilize o termo rosa como uma conotação para se remeter à bomba, o tema central fica claro e é impossível confundi-la com uma música da Bossa Nova e Tropicália, as quais eram repletas de conotação. Confira:

 

Pensem nas crianças, mudas telepáticas

Pensem nas meninas, cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa, estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor, sem perfume

Sem rosa, sem nada

Para dar espaço aos músicos, surgem eventos inspirados no Festival de Woodstock. Os principais eram:  Festival de Águas Claras, no município de Iacanga, interior de São Paulo; o Festival de Verão de Guarapari (em 1971) ; o Festival Banana Progressiva, realizado no Teatro da Fundação Getúlio Vargas e o  Hollywood Rock, no Rio de Janeiro.

No final de 70, surge o Punk-Rock, como crítica à grave repressão. Contudo, só em 1982, há o reconhecimento do Punk como um gênero, através do Punk Rock Discos e do primeiro evento destinado ao estilo, os quais apoiaram o crescimento de bandas independentes de Punk. De acordo com Rodrigo Almeida, fã de longa data do Punk, o Punk no Brasil ainda manifesta contra o governo, assim como era no período ditatorial, porém, hoje em dia, incrementou-se no estilo o manifesto que aborda questões sociais. 

É nos anos 80 que surgem as bandas que (algumas) ainda estão em atividade e pessoa de qualquer idade, hoje em dia, podem vir a conhecer através de lançamentos e se tornar fã. Em Brasília, Aborto Elétrico é formado e quatro anos depois, é desfeito. Dinho Ouro Preto, influenciado por ideais do Aborto e de Renato Russo, em especial, entra como vocalista do Capital Inicial, junto aos irmãos que também eram do Aborto Elétrico Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria). Então, Renato Russo funda Legião Urbana.

O hit de sucesso era Você Não Soube me Amar, por Blitz. As bandas de maior conceito eram as quatro que formaram O Quarteto Sagrado (Barão Vermelho, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs ) , além de Kid Abelha, Biquini Cavadão, Ultraje a RigorRPM e Ira!. Conforme o Rock ia ganhando músicos, seus subgêneros também ganhavam: surge a onda do Trash Metal, cujo sentimento passado era de agressividade, caracterizado pela rapidez da melodia,  com fortes ritmos tocados pelos instrumentos. A formação da banda Sepultura é o marco inicial para o estilo e é principal referência do Trash Metal brasileiro no mundo.

A década de 90 chega e traz consigo o surgimento da emissora MTV Brasil, a qual proporcionou e impulsionou a criação de videoclipes e álbuns ao vivo, além de dar espaço às bandas iniciantes e alcançar o público brasileiro. Outro meio de comunicação influenciador foi a rádio Kiss FM. Essa teve fundamental importância para a divulgação de 13 de julho como o dia mundial do Rock ( dia em que aconteceu o mega evento Live Aid).

Algumas bandas de sucesso da época -algumas em carreira até hoje- são  Skank,  Jota Quest, Raimundos, Mamonas Assassinas, Angra (Power Metal) e Charlie Brown Jr. Mas nem tudo se desenvolvia bem no mundo musical, Cazuza morre em 1990, Renato Russo em 1996, ambos vítimas da AIDS  e os integrantes de Mamonas Assassinas morrem em acidente de avião.

O Quarteto Sagrado

Barão Vermelho, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs formam o Quarteto Sagrado. Eles compunham os principais sucessos das paradas de rádio e obtinham os maiores números de vendas de discos.

Barão Vermelho foi fundada após os integrantes assistirem ao show do grupo britânico Queen e se inspirarem, no Rio de Janeiro ,  em 1981.Guto Goffi ( bateria) ,  Maurício Barros (teclado), Dé ( baixo) Frejat (Guitarra ) e Cazuza (voz) formaram um quinteto talentoso. Porém, as rádios se recusavam a tocar suas canções.Após Caetano Veloso reconhecer o grupo e Ney Mato Grosso regravar uma música original do Barão, ‘’Pro dia Nascer Feliz’’ que as mídias começaram a expor o trabalho da banda e não parou por ai: eles foram convidados para o maior evento de Rock do Brasil, Rock In Rio, em 1985.

Curiosidade: O nome Barão Vermelho era o codinome do piloto da Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial, Manfred von Richthofen.

Legião Urbana, composta por  Renato Russo (voz) ,  Marcelo Bonfá (bateria) ,  Dado Villa-Lobos (guitarra) e Renato Rocha (baixo) em 1982, Legião Urbana conseguiu a produção de 8 álbuns de estúdio e 3 ao vivo. Com a venda de mais de  25 milhões de discos, suas músicas são tocadas até hoje e, mesmo com o término da banda, jovens de hoje são fãs do legado deixado por eles.

A banda inspira o longa Somos Tão Jovens, em 2013, pela produtora Canto Claro Produções Artísticas, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura. E , também em 2013, a música Faroeste Caboclo  ganha uma representação cinemática, na direção de René Sampaio, ao contar a vida do personagem João de Santo Cristo, presente na letra da música Faroeste Caboclo.

Renato Russo tinha amigos que serviam de inspiração para a letra de suas canções, ele escrevia a história das pessoas em forma de música. De acordo com o músico:

‘’Amizade é quando você encontra uma pessoa que olha na mesma direção que você, compartilha a vida contigo e te respeita como você é. Uma pessoa com a qual você não precisa ter segredos e que goste até dos seus defeitos. Basicamente, é aquela pessoa com quem você quer compartilhar os bons momentos e os maus, também.’’

Por exemplo, Eduardo  e Mônica eram amigos de Renato e as suas histórias de vida foram romantizadas na música. Na verdade, o casal é Pedro De Vitto, 20 anos, e Thaís Medeiros, 29.

Confira o videoclipe publicitário, lançado em 2013, cujo tema é a história dos personagens Eduardo e Mônica.

O vídeo do comercial atinge 719.610 visualizações no Youtube (Canal: Jefferson Santos) 

Paralamas do Sucesso, banda formada em 1982, em Fluminense, é constituída por  Herbert Vianna (guitarra e vocal), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria). No início, o foco era misturar rock com reggae. Com o tempo, adicionaram instrumentos de sopro. Na formação da banda, os integrantes mal se viam porque estavam estudando para serem aprovados nos vestibulares, porém, arranjaram tempo para ensaiarem e o principal lugar para isso era na casa da avó de Bi.

 

O primeiro álbum da banda se chama Cinema Mudo. Lançado em 1983, é recheado de músicas humoradas e com ritmos latinos.

Curiosidade: a música Vovó Ondina É Gente Fina foi inspirada na avó de Bi, onde eles descreveram um cenário acontecido durante um ensaio. Confira um trecho:

‘’Silêncio meninos! Toquem mais baixo
Que o velhinho aqui de baixo está doente de dar dó
E o rock rolava na casa da vovó
Chamaram a polícia - mas que barra!
Desliga essa guitarra que a coisa
Está indo de mal a pior
São trinta soldados contra uma vovó
É gente fina - vovó Ondina
É gente fina - vovó Ondina’’

Titãs, formado em 1982, paulistano, o grupo optava pelo gênero pop-rock, no início. Com o tempo, fizeram o uso dos estilos New Wave, Punk Rock, MPB e ritmos eletrônicos. Em contrapartida da estrutura de quatro integrantes, Titãs contava com nove.

O grande número de músicos não fez Titãs ser a melhor banda, mas eles venderam mais de 6,3 milhões de cópias de seu álbuns. Com o tempo, cinco deixaram, sendo que um deles, o baterista Marcelo Fromer, morreu em 2001 atropelado. Nos dias de hoje, o grupo conta com Branco Mello (vocalista desde 1982),   Sérgio Britto  (teclado e baixo) e Tony Bellotto (guitarra solo). Em cada show, eles contam com músicos de apoio para completarem a composição dos instrumentos para que as melodias não fiquem incompletas.

Por que dizem que Rock é do diabo?

Ao contrário do que diz a música de Raul Seixas:

''O diabo é o pai do rock! O diabo é o pai do rock! Então é very god rock! O diabo é o pai do rock! Enquanto Freud explica, O diabo dá os toque''

O diabo não é pai do Rock.

 O estilo musical deriva, principalmente, a partir o Rock And Roll, Blues e Jazz. Portanto, o Rock é filho desses gêneros. Contudo, ele é associado com o satanismo muitas vezes. Entenda o porquê:

O Rock também é um movimento cultural, moldado a partir do momento em que os fãs desenvolvem ideais políticos, ideológicos e sociais que questionam a ordem vigente e vinculam às músicas. O gênero se forma em um meio em que a maioria das pessoas são judaicas-cristãs, cuja cultura tem fundamentação patriarcal. Assim, a autoridade é designada a um único membro e quem o questiona é classificado como rebelde, segundo a tradição do Gênesis.

Por crescer nesse meio, o Rock acabou por ser relacionado, pela população, ao maior ícone de rebeldia cristã: o Diabo. Ademais, uma de suas derivações é o Blues. Este, por sua vez, é de origem negra e cresceu no sul dos Estados Unidos. As histórias dos bluesmen (músicos de Blues), são saturadas pelo acompanhamento do Diabo. O bluesmen mais polêmico foi Robert Johnson, nascido em Mississipi e conquistador do quinto lugar na lista dos Maiores Guitarristas de Todos os Tempos da Rolling Stone e considerado mestre do Blues.

Para entender mais, confira a famosa lenda ( divulgada no blog ZONA 33, disponível em https://www.zona33.com.br/2018/07/robert-johnson-blues-e-o-pacto-encruzilhada.html), cuja história é sobre o pacto realizado com o Diabo. Segundo Robert Johnson, este é o motivo de suas vitórias na vida de sucesso pela música.  

‘’ Em uma noite sem lua, o jovem Robert Johnson se aventurou em uma encruzilhada em Clarksdale, Mississippi (EUA), não muito longe da plantação Dockery. Quando ele se aproximou, outra figura fez o mesmo. O diabo pegou o violão de Johnson, o afinou, tocou algumas notas e o devolveu. Só então ele foi agraciado com um talento musical que foi considerado de outro mundo. Suas músicas como Me and the Devil Blue, Hellhound on my trail e Crossroad Blue aumentaram ainda mais a crença na história, pois essas músicas têm alguma alusão ao diabo. E como a reputação de Johnson cresceu, o mesmo aconteceu com a história.

(...) A data de seu óbito também é imprecisa(...). Existem diversas suposições sobre sua morte (...)enfim, fazer pacto com o capiroto parece não ser uma ideia sensata, apesar de extremamente talentoso, ele morreu pobre e a glória e fama mundial só veio depois...  Assim reza a lenda.’’

 

Com isso, costumou-se associar Rock ao Diabo.

De 2000 até  hoje 

Surgem bandas que a população pode acompanhar, hoje em dia, por estarem em atividade. São algumas delas:  Detonautas Roque ClubeCPM 22Cachorro Grande, Pitty,  Vivendo do ÓcioSelvagens à Procura de Lei e Vespas Mandarinas. A partir de 2000, surge um novo subgênero no Brasil, o emo e, com ele, vem a polêmia da veste colorida e cabelo (liso) na frente do rosto que o caracteriza. Porém, a moda não pegou para os músicos do rock mais experientes (como Dinho Ouro Preto e Tico Santa Cruz), que criticaram o estilo das vestes. 

De acordo com Renato Silva (60), natural de Uberlândia, antigamente era comum o Rock ser topo nas paradas de rádio e, hoje em dia, isso não acontece com frequência: 

'' Hoje você vai a um show de banda cover e as bandas independentes não muito conhecidas reforçam isso, ao invés de apresentarem suas músicas, é onde não conhecemos novas músicas e os clássicos continuem a perpetuar. Claro que clássicos são clássicos, mas depois vem gente dizendo que o Rock está  morrendo porque não tem música boa atual. As bandas atuais conhecidas tocam músicas novas que, provavelmente, ainda vão ser lembradas por um bom tempo, mas quanto as do cenário local, vamos todos aos shows das pequenas bandas, para, assim, apoiar e fazer o Rock continuar.

Outro fator é o crescimento do sertanejo e do funk, até no Rock in Rio eles querem xeretar - risos - mas isso vai contra e não fica claro o intuito do evento. E o pior é que já vi uma banda excelente de Rock não conseguir apoio financeiro para seu trabalho, enquanto uma duplinha que não vi talento aí, que vive no playback do sertanejo, conseguiu apoio financeiro. 

Quanto ao Rock, digo uma coisa, ele não vai morrer porque os clássicos estão aí. '' - diz Renato

Algumas bandas que estão em atividade no período entre 2000 e 2018. (Videoclipes publicados no canal do Youtube de cada uma delas).

Venda estimada de discos durante toda a carreira (em milhões)

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Fonte: Wikipédia (arte: Laura Justino )

Roberto Carlos lidera o ranking nacional de vendas de discos. Em 2º e 3º lugar, Nelson Gonçalves e Rita Lee, respectivamente, que fizeram história no MPB. Legião Urbana ocupa 11º lugar nacional e Sepultura, 17º. Os três primeiros são influenciados pelo Rock. Em contrapartida, entre a rainha do Rock brasileiro (Rita Lee) e Legião, quem ocupam o pódio são cantores de sertanejo, samba e música infantil.

 Segue aí

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