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Muita Vogal para Humberto Gessinger

Laura Justino         08/11/18

    Pouca vogal é o título do trabalho produzido por Humberto Gessinger e  Duca Leindecker (líder da banda Cidadão de quem) entre 2008 e 2012. O nome faz referência aos sobrenomes. De fato, poucas vogais os constituem. Porém, ao tratar do ilustre Gessinger, faz-se necessário o uso de várias vogais.  

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Em 2016, Humberto lançou o EP "Louco Pra Ficar Legal" (Foto: Glaucio Ayala )

  O Multi-instrumentista, nascido em 1963, começa as apresentações no mundo da música durante o período em que estudava Arquitetura, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele não levou consigo para a vida o diploma de conclusão do curso, mas levou a amizade de três amigos da classe, cujos relacionamentos são aproximados em um festival da instituição que protestava contra à paralisação das aulas, cuja data coincide com a realização da abertura do primeiro Rock in Rio (11 de janeiro de 1985) o que implicou na formação de um grupo por eles para a manifestação por meio da música.

   

  O objetivo de Carlos Stein (guitarra), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Maltz (bateria) era a melhoria da qualidade de ensino. Porém, eles ganharam um público após a apresentação no festival, fato que apoiou e incentivou a continuação de atividades pelos quatro. Engenheiros do Hawaii nasce e conquista palcos alternativos na cidade de Porto Alegre e shows no interior do Rio Grande do Sul. O nome escolhido para designar o grupo de amigos ironizava os estudantes de engenharia, os quais vestiam bermudas, chinelos e blusas no estilo havaianas. Como haviam pouquíssimas mulheres no curso de engenharia, eles vinham ao encontro das alunas de arquitetura e curtiam passeios pela praia com suas pranchas de surf.

 

   Humberto Gessinger é o único integrante que participou da banda, desde seu início (1985 ) à sua pausa (2012). Ainda no primeiro ano de carreira, ele consegue a participação de Engenheiros na coletânea de Porto Alegre, chamada Rock Rio Grande do Sul com a parceria de Os Replicantes, TNT, DeFalla e Garotos da Rua, graças ao projeto de reunir os artistas pela gravadora RCA, atual Sony BMG Music Entertainment.

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    Dado o ponto de partida, em 1986 o álbum Longe Demais das Capitais é gravado. Com os ideais no pop, comparava-se a afinidade com o estilo de Paralamas do Sucesso.  A partir da nova obra, a banda abrange o Brasil e ganha espaço até nas telenovelas: os ritmos Toda Forma de Poder, Segurança, Sopa de Letrinhas e Longe Demais das Capitais badalaram as novelas Hipertensão da Rede Globo e Vitória da Rede Record.

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    A esta altura,  Carlos Stein e  Marcelo Pitz  são os primeiros a deixarem a banda. Porém, Gessinger não se abala com a crise e muito menos se incomoda com o crescimento da popularidade. Pelo contrário, assumiu as quatro cordas do baixo e recrutou o o guitarrista Augusto Licks. Juntos, os três lançam o disco A Revolta dos Dândis, em 1987.

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   Muitas das músicas lançadas em 87 são referências e umas das mais ouvidas de Engenheiros até hoje, como Infinita Highway, Terra de Gigantes e Refrão de Bolero, por exemplo. Em entrevista à revista eletrônica Zero Hora, Gessinger analisa Infinita Highway: 

 

     

       ''Apesar de não ser o single do disco, chegamos a fazer alguns (programas) Globos de Ouro com ela. Era a parada de sucessos da época – lembra Gessinger , para quem a mística da canção se deve ao fato de ela ter tocado muito em rádio. – E era uma música longa (mais de 6 minutos), lembro que ela ultrapassava os limites dos cartuchos de fita que tocavam na rádio. ''

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Capa do álbum ''Longe demais das capitais'', foto inicialmente em preto e branco. Depois, ela ganha cor artificial no disco, sem que a banda saiba.

Infinita Highway faz parte do álbum ''Acústico MTV'', lançado em CD e DVD, em 2004 ( canal: juninho de gtba) 

   Dessa forma, torna-se impossível lembrar de Engenheiros, sem lembrar da famosa estrada Highway, a qual se menciona. Nessa época, a banda se atrai pelo estilo rock progressivo, inclui-se no repertório músicas de longa duração, harmoniosas,  mescladas com o estilo erudito e, até nos dias de hoje, percebemos a ligação de Gessinger com instrumentos geralmente não ligados ao rock (herança do rock progressivo), como a gaita, por exemplo, a qual é utilizada em shows e o músico brinca criando novas melodias para as músicas antigas.

Refrão de Bolero, por exemplo, tem a melodia transformada ao passar dos anos. É comum nos shows de Gessinger a mudança da letra ou a introdução de notas ou cifras.  ( canais: Juliana Aguiar Ledur e lucas01, respectivamente)

   Chega 1990 e a banda investe, de vez, no rock progressivo, todas do disco desse ano – O Papa é Pop- contém músicas marcadas pelo piano elétrico, instrumento que Gessinger assume. A banda é topo das paradas do rádio e consegue sua primeira viagem ao Japão e Estados Unidos, em 1993. Porém, uma discussão interna implica na saída de Augusto Licks.

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    Segundo Robson Machado Neles, fã de longa data, Engenheiros acabara ali:

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      ‘’ Depois dessas rixas, virou uma confusão. Gessinger arruma o Humberto Gessinger Trio e outros músicos passam por ele, como o Fernando Deluqui (ex-RPM). Já o Carlos Maltz, nessa época, houve um tempo em que ele assumiu os vocais, a partir daí não se sabe mais quem está na banda, se Engenheiros volta ou não. E até hoje é isso, pode voltar como não, mas para não sujar mais o passado, melhor o Gessinger em carreira solo. Claro, as músicas foram boas (Vida Real, De Fé, O Preço), mas gosto de lembrar da época anterior a essa e fingir que a banda ainda é a mesma’’.

    Se Engenheiros entra em crise, pelo menos um fato marca a vida de Gessinger em meio a essa confusão: o nascimento de sua filha Clara, em 1992. A bebê Gessinger cresce e acompanha o pai nos palcos. 

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  Com a instabilidade de Engenheiros e de outros grupos, nos quais Gessinger tentou o trabalho em conjunto, ele vive em uma nova Era, iniciada em 2013, com o marco do lançamento de seu primeiro álbum solo: Insular. Este é recheado de músicas inéditas pois, a vontade do músico era compor um álbum que não ficasse velho após o ouvinte desfrutar mais de uma vez e, se fossem singles já divulgados, isso aconteceria.

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   Não se sabe até onde a estrada Highway levará o músico gaúcho, contudo, fica a certeza de sua marca arraigada na música brasileira e de que suas composições dificilmente serão esquecidas, pois o contexto e a reflexão trazidos por elas ocorrem até hoje e devem ser refletidas.

O músico fez Parabólica para sua filha, em 1992. 15 anos depois, ela canta junto ao pai no DVD Novos Horizontes.

Vale conferir: Humberto Gessinger 2018 

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''Há 25 anos, em 1993, os Engenheiros do Hawaii lançaram o disco Filmes de Guerra, Canções de Amor. Como todos os meus registros ao vivo - seja com EngHaw, Pouca Vogal ou solo - ele trazia, ao lado de regravações, material inédito. Com o passar do tempo, percebi que as músicas que escrevo para estarem ao lado dos clássicos nestes trabalhos acabam formando um “álbum dentro do álbum.

Este trabalho se chama Canções de Amor, Filmes de Guerra e, além das plataformas digitais, também estará disponível numa edição especial em vinil e CD que, além das quatro regravações, trará (apenas no vinil) as demos de ÀS VEZES NUNCA e QUANTO VALE A VIDA. São gravações caseiras que fiz em 1992, sem muita preocupação técnica, mas que registram bem o nascimento das canções.''

Regravação, em novembro de 2018, das quatro músicas inéditas do disco de 1993. (canal : Humberto Gessinger )

Obrigado! Mensagem enviada.

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