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A musa do empoderamento feminino na música

Por: Beatriz Evaristo  04/12/2018

Empoderada, dona de si e com uma representatividade essencial no mundo da música. Isabela Cristina Corrêa Lima, com 28 anos, veio para mudar o cenário musical. Popularmente conhecida com Iza, a cantora negra, da voz que encanta o mundo, está cada vez mais fazendo sucesso pelos palcos brasileiros.

 

Em apenas dois anos de carreira musical, Iza já gravou inúmeros hits, fez parceria com pessoas de reconhecimento gigantesco e tem um número gritante de fãs. O fã clube oficial da Iza, “IZALegion”, é um exemplo, eles já estão com seis administradores fixos e colaboradores espalhados pelo país. Em entrevista, eles contam que levam a sério o papel de ter um fã clube, que é um trabalho importante a se fazer, “O IZALegion existe não somente porque acreditamos na Iza, mas, sobretudo, por acreditarmos muito no que ela representa, no impacto que ela causa nas pessoas e o que esse impacto ocasiona.” Diz Fernando Gomes, redator e social mídia do fã clube.

 

O trabalho que a cantora vem fazendo impressiona cada vez mais a população. Suas músicas de vivencias pessoais, de empoderamento feminino e tudo o que ela representa em suas letras, fazem com que mais pessoas se aceitem da forma como são, ato importante frente a atual sociedade que impõe padrões.  

 

A maioria das músicas pop não costumam ter letras que causam reflexão, mas Iza, com seu dom, está mudando este cenário. Em meio as músicas dançantes, com ritmos excelentes para diversos ambientes, Iza introduz suas letras reflexivas.

 

O maior exemplo desse fato é a música “Pesadão” composta pela própria Iza em parceria com o cantor Marcelo Falcão, vocalista da banda O Rappa, “Essa letra veio para definir muita coisa que quero falar para a sociedade. Demais saber que o Falcão topou fazer parte dessa história. Essa música fala por mim, traz minha história, traz minha vivência.” Conta Iza em documentário.

 

 “Pesadão” é foi o primeiro sucesso da cantora, uma música que fala de superação, de como juntos somos mais fortes, como está fortemente evidente no trecho “A esperança aqui ficou / segue vibrando / e me fez lutar para vencer / me levantar e assim crescer”.  Publicada no YouTube há um ano, com um videoclipe feito por Felipe Sassi que conta com 4 cenários diferentes, todos os bailarinos negros e mais de 195 milhões de visualizações.

 

 

A inspiração

 

Por ser mulher negra, uma minoria no mundo musical, Iza consegue atingir um publico que se via mal ou até mesmo não representado nesse âmbito. Milhares de garotas negras perceberam a força que tem, a beleza que a sociedade atual tenta esconder delas, a autenticidade que elas possuem e tudo através da figura da Iza. Ela é a verdadeira inspiração para a mulher que deseja ser ela mesma, sem pensar na opinião alheia ou nas imposições da sociedade. Iza é única, uma estrela que ilumina vidas, que ensina a forma como devemos olhar para o mundo, como devemos agir e como devemos ser o que quisermos. Ver que o belo não está apenas nas mulheres brancas, de cabelos lisos e claros, magras de olhos azuis, cada uma tem sua essência, seja a de cabelo crespo, negra, com sardas, gorda ou até a de cabelo alisado, essa é a principal mensagem que a cantora traz para os palcos. 

 

Ouvir músicas desse cunho social, ajuda no crescimento e ainda mais no empoderamento feminino. O país precisa disso, precisa entender que o lugar de mulher é aonde ela quiser, que a mulher pode sim fazer o que ela bem entender e são nas pequenas lutas que vemos como isso está se intensificando, como cada vez mais as pessoas enxergam essa triste realidade tentam fazer algo por ela.

 

 Essa representatividade da Iza não está apenas presente nos palcos, ela também é uma figura que influencia muito através das mídias sociais, como um exemplo forte, o Instagram, que tem aproximadamente, 3,3 milhões de seguidores. Ela posta fotos e vídeos da sua rotina em viagens e shows, eventos que frequentou, parcerias e até os movimentos que apoia. Um comportamento bastante coerente com as suas músicas e com seu lugar de fala.

 

 

O inicio

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Isabela nasceu de uma família de baixa renda, que morava no subúrbio carioca. Ainda pequena mudou-se com a família para Natal, no Nordeste, onde disse que sofreu muito bullying na escola por ser a única menina negra, “Inicialmente eu não sabia porque todas as crianças estavam me olhando tanto, quando perguntei para minha mãe, ela respondeu que eu era muito bonita, por isso eles estavam me olhando. Eu acreditei e me senti linda desde então. Mas quando tinha uns nove, dez anos eu entendi que aquelas crianças estavam me olhando porque me achavam feia e o pior de tudo que me achavam feia por ser negra do cabelo cacheado, e foi ai que eu percebi que o problema não era comigo e que era extremamente difícil de resolver, porque dependia dessas outras pessoas me aceitarem.” Conta Isabela.

 

A música começou cedo na vida da cantora, após ter o seu primeiro contato no coral da igreja, Isabela, aos 14 anos, começou a realizar pequenos shows em retiros e paróquias da região.

 

Aos dezoito anos voltou ao Rio de Janeiro e ingressou na PUC-Rio, no curso de Publicidade e Propaganda, chegou até trabalhar por alguns anos com edição de vídeo, mas seus amigos e familiares insistiam que ela deveria ao menos tentar com a carreira de cantora. Isabela, iniciou sua carreira no YouTube, visando ter uma base de fãs, ela postava vídeos cantando apenas alguns covers.

 

Assim como Iza, outros milhares de mulheres resolvem adentrar nesse mundo musical, hoje ainda mais. Inspirada em Iza, Caroline Albuquerque de 20 anos, resolveu criar um canal no YouTube para postar alguns covers que ela realizava, o primeiro vídeo dela foi da música “Pesadão” e segundo ela “Minha relação com as músicas da Iza é bem forte, pois ela tem o meu perfil de mulher trabalhadeira e que luta por tudo que quer e não desiste fácil.”

 

Outra artista que está surgindo da influência da Iza é a Gi Fernandes, uma simpática menina de 12 anos, que também é negra e de cabelos cacheados. Ela contou que ao ver a Iza nos palcos, uma mulher negra e com o cabelo enorme daquele soube que também poderia fazer sucesso e desde então não para de correr atrás dos seus sonhos.

      

 

“Dona de mim”

 

Com tantos sucessos, músicas que explodiram no Brasil, “Dona de mim” é o mais novo trabalho da cantora, é o principal single do álbum (também intitulado como Dona de mim) que reúne todas as músicas que marcaram a carreira da Iza e os novos lançamentos que estão por vir. Ele está em turnê pelo Brasil e mais uma vez, o sucesso é garantido.

 

Iza conta que esse trabalho é a cara dela, é o que ela realmente sente e deseja fazer. “Música é para sempre, minha história vai ficar marcada para sempre, eu tenho que fazer um trabalho bom, tenho que ser algo diferente.” Diz cantora em entrevista. Atualmente ela viaja o país com a turnê, está feliz com essa conquista e diz que isso é só o início da história dela.

 

A música é baseada em histórias reais, de mulheres que lutam, de diferentes formas, para se manter de pé, fazer sua história e para mudar a vida de um outro alguém. É um trabalho bem elaborado, com um contexto importantíssimo e que mostra a forma como Iza gosta de trabalhar. Foi elogiada por inúmeros cantores e artista pelo trabalho que vem fazendo, mas os que chama atenção, por serem pessoas conectadas a esse âmbito de querer fazer músicas com mensagens e reflexões, são Gloria Groove e Marcelo Falcão, ambos já fizerem parceria com a cantora em músicas que são sucessos, tais como “Rebola” e “Pesadão” respectivamente.

 

“Eu estava para ver um momento onde alguém com o talento da Iza ia ter esse tipo de espaço, esse tipo de oportunidade, de ter um álbum cheio, de ter uma turnê. Eu admiro muito, muito, ela e o que ela tem feito, principalmente porque é sincero, é de coração, o talento dela é genuíno.” Contou Gloria Groove em entrevista.

 

Já na opinião do Marcelo Falcão ela faz música de qualidade e, mesmo ainda ele sendo um aprendiz, sabe reconhecer um futuro brilhante, sabe reconhecer uma boa música de verdade e para ele, a Iza representa tudo isso, “Gravar “Pesadão” com ela foi sensacional, uma mulher maravilhosa que tem um caminho de muita luz pela frente.”

 

O clipe “Dona de mim” chamou a atenção de milhares de pessoas, por ser uma produção extremamente elaborada e completa. “Esse clipe é especial porque essa música é especial, e ela é tão especial para mim que deu o nome ao meu álbum” Diz Iza.

 

Com a junção de mulheres que inspiram, mulheres reais e incríveis, nasce o clipe. Três histórias diferentes, com três diferentes mulheres formando essa representatividade feminina fortemente marcada.

 

A primeira história é baseada em Bia Sabiá, uma jovem que se tornou mãe solteira aos 18 anos, logo após iniciar sua faculdade de música, ela conta que tinha certeza que não iria ter a criança, estava desesperada e não queria arruinar sua carreira, chegou até ir em uma clínica para abortar, sentou na maca, mas logo desistiu. Hoje seu filho tem 1 ano e ela possui uma rede de apoio extremamente vasta, seus amigos e familiares acompanham Bia em todos os momentos e ajudam a dar uma visão de mundo ao seu filho. Ela ainda descontrói essa ideia romantizada de gravidez, “Eu acho que esse lance da maternidade, esse negócio de romantizar isso, quebrou bem na minha cara, ele nasceu e é muita coisa que acontece ao mesmo tempo, até a amamentação, sua rotina, você fica muito apegada no que você era antes. Acho que o amor foi construído, com o tempo eu fui entendendo e hoje em dia eu não me imagino sem ele.”

 

Outra mulher que inspirou a criação desse clipe foi a Marcela Maia, uma atriz que luta todos os dias contra o preconceito. No clipe ela representa uma advogada frente a um tribunal repleto de homens, um mundo masculinizado e machista, tentando defender seu réu, uma mulher negra. Mas a causa principal de estar no clipe é porque ela é uma mulher Trans, que já sofreu muita pressão religiosa, psicológica, agressões físicas e entre outras coisas. Marcela conta principalmente dos rótulos que a sociedade impõe, mesmo que inconscientemente, por exemplo: “Nossa você é uma mulher tão linda, nem parece que é Trans”, ela retribui afirmando, “Eu sou sim uma mulher”. Ela é segura de si, sabe bem quem ela é e onde ela quer chegar, e diz que não há preconceito algum que vai impedi-la disso.

 

A terceira e última história é de uma professora que está acostumada a vivenciar episódios de violência dentro da escola. Josi Lima, uma funcionária da rede pública, negra e com os cabelos afro, é a história que mais comove Iza, já que sua mãe também é professora da rede publica e já passou por diversas situações de violência. A cena que é retratada no clipe é de um tiroteio, muito comum em escolas das zonas periféricas das grandes cidades, como exemplo São Paulo e Rio de Janeiro. A professora conta que essas situações são muito corriqueiras e que são prejudiciais a aprendizagem do aluno, ela relata ainda que há alunos que já estão tão acostumados com esses momentos que já sabem até identificar as armas ou não sentem mais medo.

 

Outro fato que ela conta também é a representatividade que ela tem em sala de aula, “Muitos alunos chegam em mim e contam que deixou o cabelo de tal jeito por minha causa, que não vai mais alisar porque viu que o meu cabelo fica bonito, que está usando um tipo de roupa por minha causa. Eu acho muito legal esse negócio de poder influenciar na vida de alguém de uma maneira boa” Conta Josi.

 

Por fim Iza conta mais sobre a gravação do clipe “Meu clipe é completamente diferente de se fazer, porque não tem coreografia e quando a gente tem coreografia, a dinâmica do clipe é outra. Quando você está em um set, que você está livre para fazer o que quiser, as danças esquisitas, malucas e lindas que você quiser, isso foi uma terapia para mim, poder curtir minha música daquele jeito, ao estremo, foi super legal e eu quero muito que as pessoas saibam, quando assistir o vídeo, que não foi nada coreografado, que não foi nada marcado, que tudo ali foi puro sentimento e diversão.”

 

O intuito do clipe foi passar uma realidade, mostrar que as mulheres estão cada vez mais tornando-se “donas de si”, que a liberdade de poder fazer suas escolhas, viver suas vidas e serem quem elas quiserem é real, que nós somos empoderadas e podemos tudo. 

 

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Outros sucessos

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“Ginga” é uma música, assim como todas as outras, que representa algo importante na vida da cantora e que ela quer expor ao mundo. Na canção, seus principais temas são a força e a união e para isso, Iza pensou em fazer um clipe na praia, já que não tem nada mais forte que a força da natureza, trabalhando assim, com os quatro elementos.

 

Com participação especial do rapper paulistano, Rincon Sapiência, o clipe foi publicado em março desse ano (2018) e já conta com mais de 50 milhões de visualizações no YouTube e mais uma vez, um clipe no qual só há bailarinos negros, assim é possível ver a força que a Iza dá ao movimento negro. A música se remete muito a capoeira - uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte e cultura popular - por causa do seu ritmo e das suas batidas e ainda, por causa do nome dela, “ginga”, que é um movimento básico da capoeira.

O clipe não poderia ser diferente, a coreografia tem traços de movimentação de capoeira, o cenário, a letra e o figurino também contribuíram para isso.

 

“Te Pegar” vem com uma proposta diferente, uma música um tanto quanto romântica e sensual. Em sua letra, Iza fala o quanto quer uma pessoa, o quanto esperava por aquele encontro, no trecho “Faz um tempo que espero por você / nosso caso tinha que acontecer” fica muito marcado esse fato.

 

O clipe tem participação especial do ator José Loreto, que tem grande representatividade, por participar do programa “Amor e Sexo”, defendendo o movimento do feminismo e todas as lutas por igualdade. Publicado no ano de 2017, já conta com 15 milhões de visualizações e a música ainda está muito presente na carreira da cantora, já que apresentou ela em um programa do canal fechado MultiShow, “Música Boa ao Vivo” em outubro desse ano (2018).

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O clipe de “Esse brilho é meu” foi lançado em setembro de 2017, conta com mais de 24 milhões de visualizações e foi patrocinado pela Casting Creme Gloss. A música tem essa representatividade do cabelo feminino presente em alguns trechos como uma forma de metáfora, tais como “Não sou daquelas que fica em cima do muro / Esse brilho é meu e ninguém vai tirar”. Iza mais uma vez tem um posicionamento firme em relação a isso, segundo ela muitas mulheres negras e cacheadas impõe as outras mulheres negras adotar também esse movimento, não aceitam que mulheres assim alisem o cabelo ou até mesmo pintem ele, mas a visão da cantora é diferente, “a gente não tem que nada, nós resolvemos o que vamos fazer em nosso cabelo, se eu quiser aparecer com ele loiro e alisado, vou aparecer, temos que fazer as coisas como nós queremos” diz a cantora.

 

Um dos primeiros trabalhos de Iza foi “Quem sabe sou eu”, um single que fala muito do posicionamento da Iza e qual sua opinião sobre as imposições da sociedade atual em relação a mulher. “A minha música “Quem sabe sou eu” foi escrita para abraçar o que é ser mulher. É muito complicado, poxa ser mulher é difícil pra caramba, pô, a gente tem que pensar 15 vezes na roupa que vai usar antes de sair de casa, não por uma questão nossa, mas por segurança mesmo, porque eu não sei o que eu vou encontrar pela rua. Tudo aquilo que eu faço está sempre condicionada a como o outro vai reagir a mim e isso é muito difícil, a gente passa por aprovação o tempo inteiro e aí quando mulheres cantam pra outras mulheres, falando sobre “recalque”, sobre competição, sobre inimigas, só piora.”  Contou cantora em entrevista para o programa “Espelho” no canal Brasil do YouTube, com o apresentador Lázaro Ramos.

 

Iza comenta também que esse é um dos principais motivos de não cantar músicas que oprimem de qualquer forma outra mulher, “Eu posso assegurar, eu estou em construção, eu acho que todo artista evolui, mas isso é uma coisa que eu nunca vou cantar, por que machuca, é cruel demais.” Uma cantora que já sofreu os diversos tipos de preconceito por ser quem ela realmente é, representa muito bem esse movimento que ajuda as mulheres se aceitarem, assumindo um papel muito importante na vida delas.    

 

 

Premiações

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Iza já foi indicada a diversos tipos de prêmios e em diversas categorias. Contando a partir de 2017, ano em que começou a explodir com seus sucessos, ela teve oito indicações, vencendo apenas três. Entre as diversas categorias estão: Revelação musical, revelação do ano, Crush do ano, cantora doa no, melhor música, Hino do ano e afins.

 

Passou por diversos tapetes vermelhos, o mais recente foi o Grammy Latino, uma premiação que é extremamente importante para a carreira de qualquer artista. Nesta premiação foi indicada como Melhor Álbum Pop Contemporâneo da Língua Portuguesa, essa categoria é entregue anualmente, desde 2000. Diversos cantores renomados já passaram por lá, como exemplo, Seu Jorge que ganhou duas vezes consecutivas, nos anos de 2012 e 2013, Ivete Sangalo, vencedora da edição de 2014, Marisa Monte, Carlinhos Brown e Leline são outros nomes importantes que marcaram essa premiação.

 

Ainda em 2017 conseguiu levar seu primeiro prêmio para casa, foi o Women’s Music Event Awards, indicada a categoria de Revelação do ano. Ela concorreu com Anavitória, Linn da Quebrada, Luiza Lian e Xenia França, cantoras que também se tornaram sucesso em todas as paradas atualmente.

 

No ano de 2018, a cantora levou seu segundo e terceiro prêmio, um foi o Prêmio

Glamour, indicada como a cantora do ano e o outro o Prêmio Multishow de Música Brasileira como a melhor música indicada com a música “Pesadão”. Ela concorreu com diversos nomes e músicas renomadas, mas seu talento e seu carisma com o público ajudaram a vencer as premiações, diria até as primeiras de muitas que estão por vir.

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Fotos retiradas do Instagram @iza

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