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A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA E MUSICAL COMO FORMA DE REFERÊNCIA, RESISTÊNCIA E REPRESENTATIVIDADE

Por: Josias Ribeiro  23/11/2018

Mesmo não sendo comprovado, a indícios de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. A história da música se confunde com a história da inteligência e cultura do ser humano de tamanha ligação que o homem tem com essa forma de expressão. Com o passar dos tempos a música passou a tomar significados e sentidos diferentes, mas apesar disso sempre manteve intacta o seu objetivo de sensibilizar o outro de alguma forma.

 

Nas décadas de 1964-1985 o Brasil passou pela ditadura militar, um dos períodos mais “conturbados” da história do país. Um dos pontos marcantes desse tipo de governo é a censura, onde o estado controla totalmente tudo o que será divulgado pelos veículos de comunicação, dessa maneira não há possibilidade de ocorrer nenhum ato contra o poder vigente.  

 

Uma das formas encontradas pelas pessoas de lutar e resistir a esse tempo foi criando canções que expressavam tudo o que eles sentiam. Artistas como Caetano Veloso lançaram músicas como “Alegria Alegria” que trazia consigo uma mensagem social de cunho importante para a situação enfrentada no país. Caetano ficou exilado em Londres por quase dois anos e foi classificado como “persona non grata”, até 1972. “Alegria, Alegria” denuncia o abuso do poder, a violência praticada pelo regime e precariedade da educação no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atualmente essa crítica social ainda é encontrada nas músicas e de maneira cada vez mais direta. Projota, em seu recente trabalho lançou uma música intitulada “Sr. Presidente”, onde na letra o artista clama ao governo ajuda e, que os políticos se conscientizem sobre suas as ações e as consequências delas que atinge a sociedade, como no trecho, “Sr. Presidente esse país ‘tá doente’ nosso povo já não aguenta mais. Sr. Presidente, como você se sente ao ver as filas dos nossos hospitais? ”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje, cantores de funk refletem em suas músicas suas vivências e sua realidade, como Caetano Veloso fez em suas canções. Apesar disso o funk é um ritmo que ainda sofre muito preconceito no país e a sociedade ainda não enxerga essa forma de expressão como “música de verdade”. O produtor musical Ramiro Neto acredita que muitas letras de funk são discriminadas pelo fato da música ser vinda da favela e, isso faz com que as pessoas criem ligações com coisas negativas como traficantes, e acabam não dando muito valor. Por incrível que pareça o funk sempre é o ritmo que mais se destaca, sempre está à frente de qualquer outro. Acontece que a forma como a música é expressada faz com que as vezes impeça as pessoas de tentarem entender o seu real significado. O funk expressa sim muito em suas letras, ele tem uma linha de expressão forte, só que talvez a forma que vem sendo expressa não seja a mais correta.

 

“Acredito que toda música traz consigo explicita ou implicitamente uma crítica social, pois toda música tem um ponto objetivo, e seja ela uma música romântica sobre traição, ironia ou até mesmo mensagem para o presidente, temos em cada música algo que ataca ou fere algum ponto da sociedade” comenta Ramiro.

Além da importância de deixar seus pontos e angústias na música, os artistas também são fortes símbolos de resistência e luta. O Brasil é um dos países que vive isso de forma muito explicita atualmente. Mesmo com tamanha intolerância e preconceito por parte de algumas pessoas, o atual cenário musical brasileiro vem tomando rumos antes inimagináveis. Classes mais inferiorizadas que não possui um lugar de fala assistem cada vez mais artistas representantes desses movimentos crescendo e ascendendo nas paradas.

Apesar de ser um dos países que mais mata LGBT no mundo, o Brasil encontra hoje artistas importantes que acabam se tornando símbolos de resistência, como Anitta, Pabllo Vittar, Gloria Groove entre tantos outros. Perguntado sobre a ascensão desses artistas e a dificuldade que eles encontram devido o preconceito, Ramiro acredita que, todos que querem á de conseguir, mesmo sendo mais difícil para esses artistas. Esse preconceito com a classe LGBTQ já existe há muitos anos, então, apesar do sucesso ser uma consequência da persistência, esses artistas têm tentado e vêm ganhando destaque com essa persistência. Nesse cenário acredito que esse preconceito vem diminuindo.

 

A posição que esses artistas vêm ocupando é de extrema importância para as pessoas que não conseguem fazer com que sua voz seja escutada. Sendo o maior expoente do pop brasileiros nos últimos anos, um dos fã clubes da cantora Anitta acredita que sua figura dentro do cenário musical brasileiro atualmente ainda é de extrema necessidade para mostrar que uma cantora que começou no funk pode e consegue se manter diante de uma indústria e sociedade totalmente machista e preconceituosa. E por mais que atualmente não esteja lançando materiais totalmente em português com frequência, a sua figura é necessária pois acaba fortalecendo e abrindo portas para outras artistas de seu segmento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro sinônimo de referência que ganhou espaço nesse último ano foi a cantora e compositora IZA. Negra e criada em uma família humilde do subúrbio carioca, a artista conseguiu quebrar algumas barreiras e hoje consegue ver suas músicas se destacando no topo das paradas de sucesso.

 

Uma consequência desse trabalho bem realizado pode ser vista nas pessoas que seguem seu trabalho e enxergam extrema importância em sua presença na indústria. “Se pudesse resumir em uma palavra, seria "Representatividade". A presença dela no cenário musical é importante por conta disso, diariamente a gente recebe vídeos, fotos e relatos de meninas pequenas que passam a deixar o cabelo crescer, aceitar o cabelo crespo e cacheado ou ainda que querem parecer com a IZA, sabe? Ela não é só uma mulher negra na música ela é uma mulher negra na música que fala sobre racismo e machismo, ela é uma mulher negra que também aproveita o espaço que tem para trabalhar estas questões. A existência de uma mulher negra na indústria já é um ato político, mas quando ela se empodera e também fala sobre as dificuldades da vivência dessa mulher negra, isso contribui ainda mais para a mudança. ”, diz Fernando, membro de um dos seus maiores fã-clubes.

 

“IZA não é só uma voz para as mulheres, ela também é uma voz para os negros e isso acaba reverberando muito. Existem mulheres que passam por situações de machismo e opressão e não acreditam que possam realmente se posicionar diante disso e quando elas veem Iza com um discurso assim, isso acaba motivando a mudança e dando confiança pra que essas mulheres também tenham voz. Acho que a arte tá muito ligada à isso desde sempre. Na época da ditadura mesmo, onde a música era exatamente um reflexo do que acontecia na época e acabava virando símbolo da revolução da mesma forma acredito que a figura dela é símbolo de mudança para estas pessoas” finaliza ele.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É evidente a importância que um artista tem na sociedade, sua representação vai além de simplesmente lançar músicas e se apresentar em shows. Felizmente no nosso país temos tantos talentos diversificados que, mesmo tendo alguns que ganhe destaque de forma mais difícil que outros atualmente, só prova o quanto evoluímos. Clássicas ou atuais, vítimas de preconceitos ou não, as músicas não só podem como devem servir como resistência, representatividade e referência para as lutas enfrentadas pela sociedade.

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