Vitamina
musical
O LUGAR CERTO PRA SINTONIZAR
Solken arrebenta! Entrevista com Gui Silveira
Laura Justino 01/11/18
Em sua formação atual, Solken é composta por Guilherme Silveira (voz), Renan Marques (baterista), Lucas Antônio (Baixista) e Edu Gondim (Guitarrista). Juntos, prometem novas músicas e diversos shows espalhados por Uberlândia e região.
Dentre os festivais em que participou, Solken destaca primeiro lugar no Festival de Talentos de Uberlândia, em 2014.

Da esquerda para a direita: Lucas, Renan, Guilherme e Edu. O termo Solken traz a ideia do ‘’Sol ideal’’ como uma metáfora para um mundo melhor estruturado. O nome foi construído pela junção da palavra ‘’Sol’’ com a palavra Ken, cujo significado é força e idealismo. ( Foto: Lara Luz)
Confira a entrevista concedida por Gui Silveira e conheça mais sobre sua história e a banda Solken:
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Cada músico tem uma história pela qual entrou no universo musical. Qual a sua?
Sempre fui ligado à música: meu pai toca violão e minha madrinha toca piano. Mas, confesso que nem sempre foi algo incentivado como profissão, e sim como um hobby. Sempre que estudei música ou tive banda eram em horários que não prejudicassem os estudos na escola. Comecei, de fato, com 15 anos a ter bandas. Tive algumas no tempo de colégio, participei de vários festivais escolares e fiz alguns anos de conservatório no contrabaixo.
Fundei a Solken há seis anos e meio, com a necessidade de fazer um projeto no qual pudesse pôr em prática as músicas escritas por mim. Fundei com meu irmão e um amigo nosso de infância.
As primeiras experiências em apresentações/shows foram consideradas boas? Você demorou um tempo para ter presença de palco ou teve facilidade?
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Eu comecei cedo, com 15 anos já tocava em festivais pra muita gente. Então, não tive muito problema com presença de palco, e também sempre fui uma pessoa muito extrovertida, converso com todos onde estou. Meus amigos me chamam de “free talk”, comunicar nunca foi um problema para mim. Mas, tenho ansiedade para o dia 17 de novembro, em que farei meu primeiro show como banda principal no London. Frequento a casa desde os 16 anos e, hoje, serei quem estará no palco cantando, passa um filme na cabeça – risos-.
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Vocês têm algum ritual antes de show?
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Sim, temos: sempre 15 minutos antes de entrar no palco a gente se isola, ficando somente nós, para concentrarmos. Fazemos uma corrente de oração e sempre abraçamos um a um pra desejar bom show.
Isso é algo ritual, uma vez estávamos atrasados para o show e não fizemos o ritual, resultado: fizemos um show ruim. Desde então, é uma lei fazer essa concentração – risos-.
Como vocês se organizam para compor? Há um integrante responsável pela criação da letra, outro pela melodia ou todos participam de todas as estruturas?
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Esta pergunta sobre composições depende muito da fase da banda. Na primeira formação, a qual gravou nosso primeiro CD “O Farol”, foi um pouco de cada um. Tenho 3 composições, meu irmão (antigo vocalista) tem algumas solo e algumas feita com o Jorge (antigo guitarrista). Já nessa nova formação, assumi pelo menos na parte de letra, porém, nada exclusivo. Sempre defendi a ideia que essa criação sendo compartilhada tende a agregar mais na qualidade.
Nosso novo single que estamos publicando é uma composição inicial do Lucas, que posteriormente cada um colocou sua visão, assim contribuindo para finalização da música.
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Na música Londres, por qual motivo vocês escolheram a capital inglesa ao invés de outra cidade?
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Essa foi boa, nunca ninguém me perguntou “o porquê de Londres” – risos-. Vamos lá. Coincidentemente, essa foi uma das três músicas que escrevi no nosso CD. Ela foi a primeira música que escrevi, tinha 17 anos quando fiz. Eu, desde pequeno, não sei o porquê, tenho uma fixação de conhecer Londres. Se você me perguntasse qual a cidade que tenho vontade de conhecer, a resposta sempre é, e será Londres.
Quando eu tinha 17, eu conheci uma pessoa, que até hoje é uma grande amiga. Esta me disse ter esse mesmo sonho de ir para lá. Ela teve uma adolescência turbulenta, passou por situações complicadas. Sempre falei que um dia a levarei para conhecer Londres, que lá ela seria feliz e tudo sonhado por ela se realizaria. E, assim, acabei escrevendo-a Londres. Confesso que ainda não a levei, mas ela ficou muito feliz pela música.
Nas letras de Eu Quero Viver, A Mais Bela Mulher e Não Vivo Sem Você, também, há forte presença de um personagem. As letras compostas refletem, geralmente, experiências vividas por vocês?
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Não é uma regra, às vezes sim e as vezes não. Não Vivo Sem Você é composição minha. Sim, é algo que vivi, mas na A mais bela mulher, que o Jorge escreveu, não foi algo que ele viveu, mas um roteiro que ele criou. Muita gente quando a escuta acha que é um homem falando para sua mulher. Mas, na verdade, é um pai falando pra sua filha. Demos alguns spoilers na parte “minha linda pequena mais bela mulher” .
Pra estender a pergunta, nosso novo trabalho está abordando muito o tema depressão, algo combatido por nós desde o início da banda, mas agora com mais intensidade. Inclusive, um dos integrantes luta com essa doença.
Eu, felizmente, não possuo essa doença, mas tenho vários amigos que têm. Consigo absorver e transcrever isso pra letras e, assim, tentar ajudar mais pessoas.
Para terminar, há alguma história destaque em algum show, para você ou para o grupo?
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É difícil escolher uma, são várias. Mas, vou citar um acontecimento marcante para mim e algo interno na banda que vale a pena destacar.
A história aconteceu em num show em Patos de Minas há dois anos. A gente, desde o início, faz questão de tocar nossas músicas, e, nesse show, quando tocamos Londres tinha um cara mega forte, quase um armário se debulhando em lágrimas durante a música. Depois do show fiz questão de conversar com ele e saber o motivo, ele falou que a letra o fez lembrar da ex-namorada dele. Aquilo pra mim foi o dia no qual falei: - Cara, eu tô fazendo a coisa que nasci pra fazer”.
Se algo que escrevi de alguma forma tocou alguém, fez o dia de alguém mais feliz, isso pra mim já vale todo essa correria e luta que é ter uma banda independente no Brasil.
E sobre a banda, destaco nossa união, que parece algo “clichê” mas somos as provas vivas: sim, é possível você discordar de alguém em política, religião, ideologia, e, mesmo assim, conseguir trabalhar junto, ser amigo, e, acima de tudo, respeitar o outro. Temos um evangélico que toca na igreja, vai todo domingo no culto. Também, temos um ateu.
Levando para o assunto do momento no Brasil, temos um apoiador do Bolsonaro e temos um apoiador do PT. Vejo tanta gente brigando, desfazendo amizades, famílias dividas por essas questões e estamos aí para provar que posso discordar de você e, mesmo assim, te amar, respeitar, e ter uma convivência saudável.



